Aroma mágico

Admiro muito quem saiba e ame cozinhar, primeiro porque a comida dessas pessoas é sempre maravilhosa, segundo porque sinto um pouco de inveja. A comida da minha avó é deliciosa, mas é o básico arroz, feijão e carne de panela, já a minha mãe tem uma mão boa para doces, mas também nada que me inspirasse a cozinhar por prazer. Sempre foi aquela obrigação! Acontece que eu cresci e o google surgiu – sim, conseguíamos viver sem ele – e foi aí que eu passei a me aventurar na cozinha.

Não é sempre, preciso estar sozinha e às vezes tudo dá errado, mas quando dá certo. Ahhhhh, que prazer!

Nos dias que a mágica acontece, geralmente acordo meio de saco cheio da comida do dia a dia. Então dou uma olhada nos ingredientes que tenho na geladeira e no armário, volto para o computador e digito o nome da minha matéria prima principal na busca por receitas: “Bisteca”, “Patinho”, “Frango Xadrez”, “Strogonoff”. Faço uma análise de todas, escolha uma e mãos a obra.

Primeiro faço uma seleção da trilha sonora, escolho músicas fofas e animadas, porque é pura verdade o que os culinaristas dizem sobre cozinhar com amor. Sempre que tento fazer algo às pressas ou com raiva a comida fica terrível, tudo sai do ponto!

Depois de separados os ingredientes, hora do show. Como não tenho o dom da gastronomia, sigo a risca todas as instruções. É aí que a mágica acontece: o cheiro de cebola queimando, o aroma do cominho, o sabor da batata assada, a textura do chantilly. E com muita paciência e amor, os ingredientes deixam suas características únicas para tornarem-se uma peça só. Uma combinação perfeita!

É triste quando a experiência não dá certo, frustração culinária é uma das coisas que destrói o dia por completo. Agora os dias que dão certo me sinto orgulhosa. Gosto de cozinhar para mim, mas às vezes me gabo chamando ele ou amigas de longa data – acabo sendo um pouco covarde por isso, afinal sei que se ficar ruim eles irão tirar sarro da minha cara e nada mais.

A experiência é  uma terapia, que super indico a todos. Não tenha medo, se der errado o máximo que vai acontecer é rolar uma decepção e ter que comer algo ruim. Tudo bem superável! Acredite em mim, as alegrias do sucesso serão inesquecíveis!

Obrigada Nazaré Tedesco!

Nunca fui muito fã da novela das oito – que , detalhe, vai ao ar às 21h -, primeiro porque sempre fui de dormir cedo e depois porque comecei a trabalhar e estudar. Então, ao longo desses anos consegui desencanar das conversas dos amigos e familiares sobre o que a terrível vilã estava tramando ou quem era o assassinado do personagem que morreu no primeiro capítulo. Minha relação sempre foi bem harmoniosa entre as pessoas que insistiam em conversar sobre esse tema comigo. Sempre fingia que entendia tudo e balançava a cabeça dizendo “Sério?”. Até que, meu namorado se rendeu a novela das nove.

Essa tragédia – sim, eu preferia ter que discutir sobre o juiz bandido que roubou o gol belíssimo do poderoso Timão – aconteceu quando ele concluiu o técnico de segurança logo no início de 2011 e se apaixonou perdidamente pela tal da Tereza Cristina. Foi ai que começou o meu desespero: Tereza pra cá, Crô pra lá, Griseldinha (?) aculá. Parecia que ele falava tipo… grego!

Somado a isso, ainda tinha o desespero daqueles que são viciados em novela: “Vamos sentar naquela mesa, porque assim eu posso ver a Griseldinha?”, “Mas a gente vai sair bem agora? Na hora da novela?”. Óh my God! E para piorar, a novela fez sucesso! Ou seja, já faz mais de um ano que ela está no ar e nem sinal de que vai acabar! Além do mais, fico cada vez mais excluída, porque parece que em todos os cantos tem alguém para compartilhar o que aconteceu no último episódio, que ele, coitado, não conseguiu assistir.

Confesso que estou exagerando (mulheres fazem isso), no fundo ele só faz os comentários para me irritar, porque, na verdade, nós nunca deixamos de sair e ele nunca me deixou falando sozinha por causa da novela – o que já aconteceu várias vezes por conta do futebol. Mas, só queria expressar pra vocês que são fãs de novelas, que nós, que nunca vimos um único episódio, nos sentimos bem excluídos quando a conversa caminha por um lugar sem fim de nomes estranhos. É semelhante quando seu namorado encontra a ex e começam a conversar sobre assuntos que só eles entendem! Com a diferença de que a novela é apenas uma novela. Nessas horas agradeço meu namorado por não ter ex-namoradas!

Enfim, um ano bom!

P.S. inicial: Queria registrar que no próximo ano eu preciso voltar a escrever diários. Tenho a memória extremamente curta. Oi, Dóri!

Voltemos…

De longe a maior alegria que tive este ano foi poder voltar a dançar no SESI. Todas as terças e quintas, finais de semana ensaiando e entrando no palco me completaram – sem contar os 6 quilos que perdi no meio do caminho.

A ansiedade da coreografia nova (Cisne Negro e Andanças), de esperar o figurino chegar e finalmente a estreia (e todas as outras apresentações). E também as duas vezes que ganhei destaque, mesmo fazendo parte da terceira melhor idade. Foi tudo maravilhoso! Chorei muito, de alegria e emoção por estar de volta! Assim, está sendo especial.

O estágio na Gazeta também só me trouxe alegrias. Conheci pessoas tão maravilhosas e queridas. Apeguei-me! Uma surpresa para quem no primeiro ano da faculdade odiava ouvir a família dizendo que eu seria a próxima Fátima Bernardes. Lógico, que eu ainda não tenho nem pretensão de a ser. Mas pelo menos perdi definitivamente o preconceito que eu tinha de televisão. Só quem está lá dentro sabe o quanto é difícil colocar um jornal de uma hora todos os dias no ar. E bem vindo aos novos estagiários e boa sorte para os meus Larissa Yafusso e Rafael Battaglini.

Não deixar me abater com bobagens e não exigir tanto das pessoas foram promessas que cumpri a risca. Deixei livre! E ao fazer isso, alguns se afastaram, outros voltaram e poucos – mas ótimos – me proporcionaram tardes ociosas de boa conversa. Senti falta de conseguir juntar todas as minhas meninas, mas o pouco que ficamos juntas foi bom. E meu coração sofreu menos não se importando… tanto!


O que mais falhei esse ano foi com ele. Tivemos momentos incríveis, mas neste ano ele precisou mais de mim e eu só me afastei. Inclusive, esqueci nosso aniversário de 4 anos de namoro. Imperdoável para mim. Compreensível para ele. A verdade é que eu não soube lidar com a tristeza dele. Mas eu reconheço isso, o que considero já ser um avanço. Pequeno, eu sei!


Sem sombra de dúvida: Economizar será a palavra de 2012. Eu tento entender que sendo estagiária e sem a ajuda dos meus pais dificilmente eu conseguirei ter controle sobre meus gastos. Mas o mínimo eu preciso ter. Há anos! Então, foco!

De qualquer forma, 2011 foi mais do que maravilhoso, foi belo! Consegui cumprir quase toda minha lista de resoluções. E que venha 2012, porque eu já estou ansiosa.

Para 2012 eu preciso:
- Economizar
- Ser organizada e dedicada com o TCC
- Ler mais e registrar o que leio
- Escrever um diário
- Me matricular em outro curso de inglês (URGENTE)
- Não desistir de ir fazer o mestrado no exterior
- Aproveitar meu último ano de estágio na Gazetinha (e quem sabe conseguir uma vaguinha)
- Me dedicar ao blog e cumprir essa promessa
- Aproveitar muito meu último ano de faculdade (JUCAAAA)
- Mas não ficar de exame bem no último ano né?
- Ser mais companheira dele
- Ver a Vê Silva (saudades!!)
- Continuar no jazz
- Levar a Katy para passear mais dias por semana
- Usar chapéu no sol (sério, minha cabeça descascou todas as vezes que peguei sol este ano)

O primeiro passo do fim

lista de aprovados Cásper2009

Com o passar dos anos aprendemos que tudo tem um fim e isso, definitivamente, não precisa ser algo ruim. Nossos pais um dia deixam de nos dar banho e temos que aprender a não deixar o shampoo cair dentro dos olhos – porque, oh my God, como arde -, um dia o colégio acaba e nossa turma se resume a raros encontros – isso se você tiver uma turma bacana que nem a minha. Ok, já estão convencidos de que tudo sempre acaba? Porque há mais ou menos dois meses comecei a me preparar para o fim de mais um começo: a faculdade. Boletos de formatura, amigos enlouquecidos e TCCs não deixam o fim passar despercebido.

Desde as férias do último verão, toda leitura poderia se tornar um possível tema de TCC. E mesmo quando eu ainda não tinha me decidido, veio a preocupação das pessoas que se tornariam os alvos do meu mau humor durante um ano inteiro. Afinal, eu de verdade não me aguento sozinha e, além disso, todos sabem do quanto preciso de um empurrãozinho na preguiça de vez em quando.

Acontece que fins não precisam ser ruins, mas sempre machucam. Ter a pressão de escolher um tema bacana, viável e se unir a pessoas bacanas e que continuarão gostando de mim, mesmo nas piores horas é realmente um saco. Compete lado a lado com ter que escolher uma profissão aos 17 anos e não poder abraçar mais suas melhores amigas todas as manhãs. Ser adulta é um saco!

Mas depois, quando finalmente acaba, é um prazer, daqueles de principiante. Meu primeiro dia na faculdade foi incrível, porque eu tinha realmente conseguido. Eu era, e ainda sou, a primeira pessoa da minha família a entrar na faculdade. Receber o parecer positivo do nosso projeto de TCC foi igualmente incrível. É só nosso primeiro passo para o fim, e até lá haverá muitos obstáculos, mas ele será belo e estou pronta para o prazer do depois.

do tempo que eu era bixete

o fôlego jovem dos bixos me lembra do quão é bom estar nessa profissão

 

 

A sensação da palavra

“Por afeição e aflição” diria o escritor espanhol Gonzalo Hidalgo Bayal às razões pelas quais ele escreve. Sou espelho dessa visão, não deveria existir escrita na neutralidade. Talvez esse seja o motivo pelo qual ainda não sei bem porque escolhi essa profissão que me obriga a escrever nos dias de hiato de sensações.

Achar que a obrigatoriedade da escrita proporcionaria os sentimentos de raiva – como quando escrevia cartas de amor guardadas na caixa de sapato – ou de extrema felicidade – quando invadíamos os dias seguintes do diário, porque apenas uma página era insuficiente – foi ilusão. O sentimento é a priori ao ato de escrever.

Telefonemas, e-mails, 140 caracteres, agências de notícias me distanciam do ato de escrever pelas razões de Bayal. O texto jornalístico transforma-se em versões de releases destruindo, assim, o romantismo de encontrar um lead que fuja do senso comum ou um título que arranque um peso que até então dormia com você diariamente.
No entanto, mesmo diante da queda do romantismo na escrita, estou apaixonada. Numa fuga impensada cai nos braços da linguagem visual, achando que assim eu escaparia dessa escravidão da escrita e poderia mais uma vez deixar meus dedos fluírem de acordo com minhas aflições e afeições. E a quimera mais uma vez se fez presente.

A preposição foi mal aplicada. Não se trata da escravidão da escrita e, sim, pela escrita. Mesmo na televisão, a escrita chega primeiro e não bastando chega ao estilo de Guimarães Rosa – quase ininteligível na língua pensada, mas escancarada na língua falada. Na narração da imagem temos que escrever como nas fábulas infantis: simples, claro, conciso e, o mais importante, instigante.

No entanto, mesmo diante da desilusão me apaixono porque o envolvimento a priori na televisão é inevitável. Ouvimos histórias, nos emocionamos ou nos revoltamos para assim expressar em letras àquilo que alguém recontará em palavras.

Quando Bernard Shaw diz que o talento é 10% de inspiração e 90% de transpiração ele não explícita a ordem. A minha musa é a realidade. A minha escrita são minhas sensações da realidade. É aquilo que minha musa quer que eu acredite se disfarçando de Mentor.

O fim de uma geração

 

Apesar de Harry Potter e a Pedra Filosofal ter sido lançado em 1997, o livro só chegou aqui no Brasil pela Rocco em 2000. Naquele ano eu tinha 11 anos, exatamente a mesma idade que Harry, Rony  e Hermione. Na escola onde eu estudava havia uma quase-biblioteca (assunto para outro post) e foi nessa quase-biblioteca que consegui ler quase todos os livros da saga.

No ano seguinte, tudo o que estava apenas na minha imaginação foi materializado na tela do cinema. É tão engraçado como a cada livro nos pegamos criando feições para os personagens e lugares. Lógico, que também me decepcionei com alguns filmes. Em especial com a Ordem da Fênix.

O quinto livro é o meu predileto! Mais de setecentas páginas foram devoradas em dois dias – o que me rendeu uma bela dor de cabeça por pelo menos uma semana. Sirius Black representou para Harry alguém que pertencesse realmente a sua família. Sirius era como o pai, que ele não conheceu! Talvez por isso eu tenha me apegado tanto a ele também, eu, aos 15 anos, sentia falta de um pai.

Ao contrário de muitos, não me abalei com a morte de Dumbledore. Não sei explicar! Talvez a morte de Sirius no livro anterior tenha me blindado de sentir.

No sétimo livro – o único que comprei -, Harry se prepara para o último ano em Hogwarts, também meu último ano do colégio. Personagens terciários – como Neville – se destacam. Acredito que porque no nosso último ano de colégio passamos a enxergar aquele colega meio tímido e, olha só, até dele você sentirá saudades. O fim do colégio – de uma fase – é realmente muito intenso.

Ontem fui assistir o último filme, chorei logo no início – era óbvio que eu faria isso. Harry precisava de um conselho de Dumbledore, mas aos 17 anos precisamos caminhar sozinhos. Tomar nossas próprias decisões é algo que até hoje – aos 20 anos – sinto medo! Ter que decidir sempre pelo sim ou pelo não, me cansa. O erro me desespera. Mas, ao menos temos o amor e por ele vale a pena ser adulto. Só por ele!

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