Onde nascem os relatos inspiradores de intercâmbio?

Nossas opiniões mudam todos os dias e o prisma do tempo é que nos motiva a acordar e discordar de nós mesmos e do outro. Quando estava no Brasil e ouvia os muitos amigos e colegas (e até anônimos) falando ou escrevendo sobre a experiência de morar em outro País sempre me pareceu muito positivo, tanto, que parecia que lá de fora não havia desconforto e que a única fraqueza era a saudade, mas nada do que ocupar a mente com as mil novidades do dia-a-dia não resolvesse, diziam.

Acontece que essas pessoas estavam lá no futuro fazendo um balanço, selecionando as palavras e – por que não? – rememorando o melhor daquela experiência. Elas estavam certas em tudo o que falavam: aprender um novo idioma, conhecer novos lugares e novas culturas, fazer novos amigos que da noite para o dia se tornam quase irmãos, aprender a se virar sozinho (mesmo e não a alguns poucos quilômetros de um abraço de quem te conhece uma vida inteira) é maravilhoso, mas também atemorizante. Sair da zona de conforto já é um grande desafio que expande horizontes e fora do círculo protegido descobrimos fraquezas que nem sabíamos que existiam ou finalmente travamos batalhas que tentávamos evitar. E mais do que isso, é preciso lutar durante esse percurso para não se enjaular no próprio medo e, assim, criar novos muros.

Estar exposto e desconfortável e ao mesmo tempo grato de poder finalmente colocar os pontos nos Is consigo mesmo. Perceber que está tudo bem se não conseguir responder todas suas questões existenciais. Afinal, os filósofos ainda estão tentando. Aprender que sucesso é muito relativo e nem está relacionado com felicidade. Deixar que a inércia exerça sua física de vez em quando e não sentir culpa por isso. Viver, simplesmente. Morar fora é uma das formas de te obrigar olhar para dentro e não é fácil como os relatos de viagens que ouvimos e lemos por aí. Mas, depois com uma certa distância da solidão e do medo de encarar a si mesmo, vem a certeza de quão incrível foi. É aí que os textos de memórias inspiradores nascem.

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2 thoughts on “Onde nascem os relatos inspiradores de intercâmbio?

  1. Thamires diz:

    Ai, Jeh, eu sempre achei essa coisa do intercâmbio bem difícil, haha. E depois, quando voltei, praticamente só me sentia à vontade para ser sincera com as pessoas que também tinha ido fazer o intercâmbio, porque sempre que eu tentava falar sobre a parte desconfortável recebia um “ah, mas sofrer fora do país é fácil”. Enfim.
    Mas concordo com a definição da origem dos relatos inspiradores. Porque, enfim, esse olhar para si mesmo e descobrir novos jeitos de olhar para o mundo machuca, mas as cicatrizes são só uma prova da nossa sobrevivência. E a gente volta mais forte, mais bonito. Tem algo de muito bonito em sair de si (e sair de si é uma das definições do amor, que também não é lá uma experiência completamente desprovida de dor).
    De todo jeito, espero que você esteja feliz e quentinha aí, apesar dos desconfortos. E que se descubra ainda mais forte e bonita. 🙂
    beijo!

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