Alguém de sorte

Piiiiii…a porta se abre e ela entra com envelopes de papel lacrados nos braços. Quase não consegue carregá-los. Após uma rápida passada de olhos por todo o vagão ela sucumbi e senta-se em um dos bancos azuis. Os especiais. Ninguém a culparia, afinal ela mal se agüentava em pé com tanto peso.

Pelo formato dos tais envelopes era claro que havia muitos livros lá dentro. Mas afinal, você não vai abrir? Matar nossa curiosidade. Pensei, o mais alto que pude. Felizmente, funcionou. (Barulho de papel sendo rasgado)

Livros, como eu havia imaginado. Um, dois, três, seis, muitos. Não consegui ler nenhum dos títulos. Mas o cheiro, Ah! O cheiro… Era maravilhoso. Um deles, aparentemente um dicionário, era um dos mais antigos, com aquele velho cheiro velho. Todo o trem impregnado. Vermelho, capa dura, letras pequenas numa folha grande, do tamanho dos cadernos de brochura de antigamente.

Ao tirar dos envelopes ela foi colocando os dentro da mochila já pesava. Alguns tiveram que ir nos braços. Milhares de historias viajavam para alguém de sorte. Nunca esquecerei o aroma dele.

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