Sobre estar consigo mesmo!

A Bahia de Jorge Amado

No primeiro ano da faculdade, saia do trabalho às 13h e só entrava na faculdade  às 19h, devido à distância da minha casa – para quem não sabe, moro em Mauá – passava essas 6 horas ziguezagueando pela avenida Paulista. Era bem cansativo, tinha muita saudades dos meus amigos do colégio, sentia falta do ar saudável da minha cidade, da comida da minha avó. Era quase tudo ruim, exceto porque eu aprendi muito sobre mim mesma naquele ano!

Algumas vezes eu já tinha me desafiado a ir sozinha ao cinema, mas chegava no shopping e via todos aqueles casais e amigos e ficava com tanta vergonha do que as pessoas iriam pensar “Será que ela levou um bolo?”, “Será que ela terminou com  aquele namoro de trezentos anos?”. Acontece que quando comecei a “viver” em São Paulo, eu percebi que as pessoas vão ao cinema sozinhas e, afinal, eu tinha seis malditas horas de nada. Até que um professor pediu um trabalho relacionado ao filme “Entre os muros da escola”, de Laurent Cantet. Até cheguei a convidar alguns amigos, mas sem sucesso. Foi ai que tive minha primeira experiência de cinema sozinha. A minha surpresa? Foi ótimo!

A sala escura e – na maioria das tardes paulistas – vazias  e uma surpresa à espera. Teve sessões que sai decepcionada, teve outras que chorei em silêncio e até aquelas que gargalhei sozinha, ou melhor, acompanhada de mim mesma. Só eu e meus julgamentos, eu e minhas lembranças, eu e minhas decisões.

Acontece que depois que mudei de emprego, poucas vezes repeti esse tipo de experiência. Saia todos os dias do trabalho e paquerava a programação do cinema, planejando … Mas, infelizmente, voltei aos velhos medos. Hoje, deixei de planejar e decidi passar um dia comigo. Até tentei chamar uma amiga – velhos medos – mas, ela não pode. Talvez aquele tal destino tenha percebido o quanto eu precisava deste dia.

Fui ver à exposição do Jorge Amado no Museu da Língua Portuguesa. Aprendi mais sobre minha própria profissão. Entrei em todos os espaços da Pinacoteca – vergonhosamente, pela primeira vez. Conheci as obras do artista venezuelano Carlos Cruz-Diez. Me apaixonei, sorri, fiquei andando de trás para frente e vice-versa para pegar o melhor ângulo de todas aquelas formas e cores. Tomei um cappuccino na fria tarde paulistana com vista para o Parque da Luz e, por fim, fui ao cinema. De rua, assistir Walter Salles e rir e se emocionar e se descobrir em detalhes. Quando nos descobrimos ser nossa melhor companhia é porque algo está incrivelmente certo!

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One thought on “Sobre estar consigo mesmo!

  1. jadeamorim diz:

    Não sei porque esse medo e essa vergonha de ir ao cinema sozinha. Eu faço TANTO isso. Aprendi que se eu for depender dos outros eu simplesmente não faço nada e, na boa, a sua companhia é a melhor que você pode ter. rs
    É bom tem outras pessoas juntos, mas se não der… fazer o quê? Só não deixe de se divertir. Eu adoraria ir em museus e etc… quando conhecer SP quero ir!

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